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A Gestão Amadora Como o Maior Inimigo do Empreendedor Brasileiro

9 de dezembro de 2025 por
Pedro Morgental Cervi

Os dados sobre a mortalidade de empresas no Brasil já são relativamente conhecidos: 20% das empresas sobrevivem ao seu 1º ano e 60% fecham as portas antes de completar 5 anos (IBGE). E, segundo dados do Indicador de Falências e Recuperação Judicial da Serasa Experian, o terceiro mês de 2025 bateu o recorde do ano em pedidos de recuperação judicial: foram 187 requerimentos protocolados, um avanço de 2,2% em relação ao mesmo período de 2024.

Muito se reforça que essa mortalidade de empresas no Brasil decorre de aspectos macroeconômicos, quase sempre esquecendo do micro, atrelado a gestão interna da empresa. As “regras do jogo” aqui não são fáceis, é fato, porém a mortalidade está mais ligada à gestão interna e à estruturação do negócio do que propriamente ao governo ou as políticas públicas. A burocracia e os encargos são um obstáculo, cuja única maneira de enfrentá-los é profissionalizar a gestão da empresa e estruturar sua administração.

Segundo Wesley Cardoso, analista do Sebrae em uma reportagem feita para o portal G1, grande parte dos negócios iniciam sem um planejamento, o que dificulta a sobrevivência no mercado. Tendo em vista a organização financeira, gestão de estoques, análise de mercado, processos, questões jurídicas entre outros aspectos que envolvem a estruturação de uma organização, a falta de conhecimento das ferramentas que auxiliam a gestão compara-se a um navio no meio do oceano, sem equipamentos e sem rumo, somente com a tripulação e um marinheiro que não sabe como e aonde quer chegar.

A crise de competência gerencial é um dos pilares da alta mortalidade. Empresários tendem a permanecer presos ao nível operacional, dedicando-se exclusivamente ao produto em detrimento da administração estratégica do negócio, mesmo em um pequeno negócio onde naturalmente os empreendedores acumulam cargos e funções na empresa, para seu crescimento é fundamental que em paralelo ele se capacite em nível gerencial.

Observa-se também que, empresas que estão há mais tempo no mercado e que, historicamente, se saíram bem financeiramente, enfrentam hoje os desafios da globalização e da concorrência acirrada. Muitas sucumbem por não terem investido na especialização e na atualização contínua de sua gestão, perdendo seu market share diante das novas exigências de mercado.

A pergunta que se impõe é: por onde começar a estruturar essa gestão? Negócios que estão iniciando ou aqueles que operam sem uma estrutura mínima devem focar em quatro eixos prioritários: Finanças, Produtos, Processos e Marketing. O ponto de partida inadiável é o Financeiro, onde a prioridade é a disciplina básica: separar as finanças pessoais das jurídicas, em seguida, organizar e categorizar os custos operacionais (fixos e variáveis), calcular corretamente o Custo da Mercadoria Vendida (CMV) ou o Custo do Serviço Prestado (CSP) e estabelecer métodos de precificação coerentes e lucrativos, levando em consideração os tributos inerentes à atividade. 

Em Produtos/Serviços, o foco deve ser a clara definição da proposta de valor e o alinhamento das ofertas às necessidades reais do mercado.  No eixo de Processos, o desafio é padronizar as operações mais críticas , da aquisição de insumos à entrega final, garantindo eficiência e qualidade previsível. Por fim, em Marketing, a gestão deve ir além da mera divulgação, dedicando-se à definição do público-alvo  (Persona), ao posicionamento da marca e à estruturação de canais de comunicação e vendas que geram demanda de forma estratégica.

Essas são dicas iniciais mas extremamente importantes para a manutenção da empresa e uma maior chance de permanência no mercado cumprindo com suas obrigações. Caso tenha dúvidas, e queira saber mais sobre o tema entre em contato com a gente. 

Pedro Morgental Cervi 9 de dezembro de 2025
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